"O UNIVERSO FUNCIONA COMO UM ESPELHO E TUDO AQUILO QUE TRANSMITIMOS, RETORNA PARA NÓS AMPLIFICADO".

quinta-feira, 26 de maio de 2011

INSS prorroga concurso para assistentes sociais

Após reuniões com a presidência do órgão, CFESS garante nova vitória para a categoria



Quem foi aprovado no concurso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o cargo de Analista do Seguro Social, com formação em Serviço Social, ganha hoje uma nova vitória. Após diversas reuniões da diretoria do CFESS com a presidência do Instituto, o concurso foi prorrogado. A determinação foi publicada nesta segunda-feira, 23 de maio, no Diário Oficial da União (DOU), Seção 3, página 124.

De acordo com o texto da publicação, a prorrogação será válida a partir de 4 de junho de 2011 e irá valer por mais 2 anos, conforme subitem 13.4 do Edital nº 1/INSS, de 6 de novembro de 2008, publicado no DOU de 10 de novembro de 2008. Isso significa que a "turma do dobro", como foi intitulado o grupo aprovado além das 900 vagas iniciais lançadas pelo concurso, poderá ser convocada para trabalhar no órgão nesse período.

Essa é mais uma vitória obtida pelo Conjunto CFESS-CRESS, após várias reuniões realizadas pela diretoria do Conselho Federal, acompanhada de conselheiros/as dos CRESS, com o antigo e com o atual presidente do Instituto. Na última reunião, realizada em 10 de maio de 2011, a ex-presidente do CFESS, Ivanete Boschetti, e a atual presidente, Sâmya Ramos, reiteraram os esforços para que o concurso fosse prorrogado e para que os excedentes aprovados sejam nomeados em breve.

Para a conselheira do CFESS Lúcia Lopes, também presente à última reunião no INSS, esta prorrogação é uma  conquista espetacular neste momento conjuntural em que há limites para a realização de novos concursos para o governo federal. "Agora, nossa luta volta-se para assegurar, com brevidade, a autorização do Ministério do Planejamento para a contratação dos 450 profissionais, conforme previsão em negociações anteriores", destaca.

Veja a prorrogação publicada no DOU desta segunda-feira, 23 de maio


E leia também:

Importantes reuniões marcam o dia no CFESS

CFESS se reúne com presidente do INSS após encontro com representantes do Fórum de Assistentes Sociais concursados/INSS
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Tempo de Luta e Resistência – 2011/2014
Comissão de Comunicação
Diogo Adjuto - JP/DF 7823Assessoria de Comunicaçãocomunicacao@cfess.org.br

CFESS Manifesta: “Educação não é fast-food”


Documento fornece mais subsídios para o debate que está no topo da pauta do Serviço Social



Aconteceu o previsto: desde que o Conjunto CFESS-CRESS, ABEPSS e ENESSO, com apoio do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES – SN), lançou, em 13 de maio, a campanha nacional "Educação não é fast-food: diga não para a graduação à distância em Serviço Social", o debate sobre os rumos do ensino superior no país esquentou.

E com pouco mais de dez dias no ar, a campanha já repercute por todo país: até o momento, são mais de 400 e-mails e mensagens recebidas pelo CFESS, de elogios a críticas, de um público heterogêneo: estudantes e professores/as (presenciais e EaD), assistentes sociais, profissionais de outras áreas, entre outros, de diversas regiões do país. Nas mídias sociais (Facebook, Twitter e Orkut), centenas de observações e comentários. No Youtube, mais de 2 mil visualizações no vídeo principal. E o hotsite educacaofastfood.com.br, até o momento,  recebeu quase 8 mil visitas.

Agora, com o debate no topo da pauta da categoria, o CFESS lança um manifesto sobre a campanha. O documento, de quatro páginas, reafirma o posicionamento das entidades representativas da categoria na defesa da educação superior pública, presencial, gratuita, laica e de qualidade, voltada para atender às necessidades da população brasileira e enfrentar a precarização e mercantilização das políticas sociais, bem como as desigualdades no país. Além disso, responde às dúvidas e críticas que o CFESS vem recebendo pelo conteúdo provocativo da "Educação não é fast-food".

"A análise dos dados reunidos no documento 'Sobre a incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social' demonstrou o descompromisso das Instituições de Ensino com a formação profissional e a falta de controle e acompanhamento sistemático da expansão e prestação de serviços dessas instituições por parte do Ministério da Educação (MEC)", denuncia trecho do CFESS Manifesta. Em outra parte, o informativo esclarece que a campanha não é excludente, nem preconceituosa, nem discriminatória. "Ao contrário, nossa defesa é da democratização do acesso, pela via da igualdade de condições, pela via do reconhecimento e materialização da educação como direito e não como mercadoria".

Além disso, faz críticas contundentes à política de educação superior do país, ao afirmar que "em detrimento do aumento de vagas em Instituições de Ensino públicas e presenciais, ou da criação de cursos de Serviço Social nas universidades públicas que ainda não o têm, ocorre a massificação via EaD ou a utilização do fundo público para financiar bolsas de estudos nas instituições privadas, através da ampliação do PROUNI".

Esta edição do CFESS Manifesta está recheada de novas informações, que dão mais subsídios e gás para um debate acalorado que a temática envolve. Portanto, deve ser lido do início ao fim. E lembre-se: educação não é fast-food. Diga não à graduação à distância em Serviço Social!

Leia o CFESS Manifesta especial "Educação não é fast-food"

Conheça a campanha, monte seu lanche, assista ao vídeo e compartilhe com seus amigos/as!

Relembre: Conjunto CFESS-CRESS, ABEPSS e ENESSO lança campanha "Educação não é fast-food"
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Tempo de Luta e Resistência – 2011/2014
Comissão de Comunicação
Rafael Werkema - JP/MG - 11732
Assessor de Comunicação

segunda-feira, 23 de maio de 2011

CFESS marca presença na 2ª Marcha Nacional contra a Homofobia

 
Na oportunidade, Conselho lança novo CFESS Manifesta

A presidente do CFESS, Sâmya Ramos, fala durante a marcha (foto: Diogo Adjuto)

Não foi só o céu de Brasília que se coloriu nesta quarta-feira, 18 de maio. O arco-íris também tomou conta da Esplanada dos Ministérios durante toda a manhã e início da tarde. É que a capital federal recebeu a 2ª Marcha Nacional contra a Homofobia, organizada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). E como não poderia ser diferente, o CFESS compareceu à mobilização, representado pela presidente, Sâmya Rodrigues Ramos e pela ex-conselheira Kênia Figueiredo.

Também fizeram parte do grupo professoras do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), estudantes e representantes do Centro Acadêmico de Serviço Social. Com cerca de 5 mil pessoas, dentre membros de movimentos sociais, estudantes universitários, centrais sindicais e caravanas de todos os estados brasileiros, a Marcha teve início com a concentração em frente à Catedral Metropolitana de Brasília. Por volta das 11h, os manifestantes caminharam rumo ao Congresso Nacional, onde os organizadores da Marcha fizeram discursos em favor da aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/06, que criminaliza a homofobia.

A presidente do CFESS, Sâmya Ramos, subiu no trio e reafirmou o apoio da instituição. "Quero dizer aos/às companheiros aqui presentes que os/as assistentes sociais estão nessa luta por uma sociedade livre de qualquer discriminação ou desrespeito aos direitos de gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transexuais. Como diz a nossa campanha lançada em 2006, o amor fala todas as línguas", afirmou. Para a presidente, a marcha simboliza um espaço político de fortalecimento e de visibilidade dos direitos dos sujeitos LGBT.


O grupo do CFESS com membros do Conselho Federal de Psicologia (esq.) e com o presidente da ABGLT, Toni Reis (abaixado) (foto: Diogo Adjuto)

Também presente à Marcha, o diretor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor Marco Duarte, ressaltou que a aprovação do PLC 122/06 é urgente e necessária. "Movimentos como a Marcha são iniciativas que fortalecem essa luta, mas é essencial que todos se conscientizem de que nossa luta contra a homofobia é diária. Homofobia é crime", destacou.

Com a palavra de ordem "fora homofobia, homofobia fora, fora homofobia, já chegou a sua hora", os manifestantes se dirigiram ao Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu um abraço humano, em celebração e agradecimento ao reconhecimento, por decisão do tribunal, da união homoafetiva como entidade familiar, o que ocorreu no último dia 5 de maio. No Supremo, a Marcha terminou com uma nova palavra de ordem: "STF, já arrasou, por um Brasil com muito amor".

CFESS Manifesta
Na ocasião, reafirmando o posicionamento ético-político do Conjunto CFESS-CRESS em defesa dos direitos LGBT, o Conselho Federal lançou um novo CFESS Manifesta, pelo dia mundial de luta contra a homofobia, celebrado em 17 de maio. No texto, a conselheira Marylúcia Mesquita explica que "a data representa um dia de lutas e denúncias das diferentes expressões do preconceito e da discriminação à livre expressão sexual e à livre expressão da identidade de gênero".


CFESS Manifesta pelo Dia Mundial de Luta contra a Homofobia (arte: Rafael Werkema)

Cabe ressaltar que, desde 2006, quando o Conjunto CFESS-CRESS lançou a campanha pela liberdade de orientação e expressão sexual, em parceria com as entidades políticas LGBT, e publicou a Resolução 489/2006, "que estabelece normas vedando condutas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional do assistente social", os Conselhos Federal e Regionais tem acompanhado as demandas desses sujeitos coletivos e apoiado ações que contribuam para superar preconceitos e violações de direitos, na luta por uma sociedade livre de quaisquer formas de exploração, opressão e discriminação.

Também presente à Marcha, o presidente da ABGLT, Toni Reis, comemorou a presença do CFESS. "O Serviço Social é nosso parceiro e não poderia deixar de estar nessa luta conosco. A Resolução CFESS 489 é uma vitória para os/as assistentes sociais e para a sociedade. Vamos em frente, pela aprovação do PLC 122/06", concluiu.

Leia o CFESS Manifesta pelo Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia

Clique e veja o álbum de fotos da 2ª Marcha Nacional contra a Homofobia


E veja também:


CFESS comemora decisão do STF em favor dos direitos LGBT


Resolução CFESS 489/06
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Tempo de Luta e Resistência – 2011/2014
Comissão de Comunicação
Diogo Adjuto - JP/DF 7823Assessoria de Comunicaçãocomunicacao@cfess.org.br

terça-feira, 17 de maio de 2011

Gestão Tempo de Luta e Resistência toma posse no CFESS

Durante a cerimônia, foi lançado o vídeo sobre a luta pelas 30 horas


O Mesa da cerimônia de posse das novas gestões do CFESS e do CRESS 8ª Região-DF (foto: Rafael Werkema)

O fim de semana que comemorou o dia do/a assistente social (celebrado em 15 de maio) foi especial para o Conjunto CFESS-CRESS. No último sábado, dia 14 de maio, tomou posse no Conselho Federal a gestão Tempo de Luta e Resistência, para o triênio 2011-2014, presidida pela professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Sâmya Rodrigues Ramos.

Após um processo eleitoral democrático, o Conjunto CFESS-CRESS reforçou o compromisso ético com o direito do exercício do voto não obrigatório (uma vez que o CFESS é o único conselho de regulamentação profissional em que a diretoria é eleita pelos/as profissionais por meio do voto direto não obrigatório) e a categoria confirmou nas urnas a escolha da chapa Tempo de Luta e Resistência para a direção do CFESS nos próximos 3 anos.

Na ocasião, foi empossada também a chapa Democracia e participação: para fazer valer a sua voz, eleita para o CRESS 8˚ Região-DF, que será presidida pela  assistente social Cilene Braga. A cerimônia contou com a presença de representantes de outros conselhos de regulamentação profissional, bem como da presidente da ABEPSS, Cláudia Mônica dos Santos e do representante da ENESSO, Nilmar Santos.

      presidente do CFESS, Sâmya Rodrigues Ramos, faz o discurso de posse (foto: Rafael Werkema)

O representante da ENESSO compôs a mesa da cerimônia e foi o primeiro a falar, ressaltando o trabalho da gestão que se despediu. "Quero registrar que a gestão que finda sai vitoriosa, por todas as lutas empenhadas, pelas campanhas, pelas legislações que orientam a atividade dessa categoria, dentre todas outras tantas intervenções que fizeram crescer a luta pela materialização de nosso projeto profissional", afirmou.

Em seguida, a presidente da ABEPSS, Claudia Mônica dos Santos, destacou que, para a Associação, é um momento importante "por estarmos nos despedindo de uma gestão que, ao deixar o CFESS, registra ações significativas para nosso projeto ético-político". Para a presidente, "é o fim de uma gestão, mas não da luta desses sujeitos na busca pela emancipação de nossa sociedade".

Saudando a mesa, a ex-presidente do CRESS 8˚ Região-DF, Fernanda Fernandes, citou a parceria do Conjunto com a ABEPSSS e com a ENESSO como fundamental nessa luta por uma nova ordem societária com base nos princípios ético-políticos.  "Além disso, comemoro a vitoria das 30 horas semanais, toda a mobilização, o privilegio de organizar o CBAS em Brasília. Pudemos efetivar um processo participativo no CRESS-DF, reforçando a efetivação do exercício democrático do voto na nossa categoria. Parabéns às gestões que saem e sucesso às que chegam", discursou.

Para a ex-presidente do CFESS (gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta/2008-2011),  Ivanete Boschetti, "celebrar esse momento de passagem é, ao mesmo tempo, prazeroso e saudoso". Agradecendo a todos/as que apoiaram o Conjunto nessa caminhada dos últimos seis anos, da qual fez parte, e também aos/às trabalhadores/as do CFESS. "Com muita atitude critica, podemos dizer que avançamos na luta por uma sociedade emancipada, justa e livre", resumiu. Ivanete falou também da Campanha "Educação não é fast-food: diga nao para  a graduação à distancia em Serviço Social", lançada pelo Conjunto na última sexta-feira, dia 13, bem como lançou o vídeo sobre a luta pelas 30 horas semanais sem redução salarial para assistentes sociais, exibido para o público após sua fala.


Os/as conselheiros/as da nova gestão do CFESS, para o triênio 2011-2014 (foto: Rafael Werkema)

Já empossada, a presidente do CRESS-DF, Cilene Braga cumprimentou os/as presentes, agradecendo aos/às integrantes da chapa da qual faz parte e parabenizou a todos/as que transmitiram a gestão. "É com vocês, com os/as funcionários/as de nosso regional, sempre conosco nessa luta, que poderemos assumir essa gestão com base na  pluralidade, na gestão colegiada, na qualidade do atendimento, para o fortalecimento de nosso projeto ético-político"

Com muita emoção, a nova presidente do CFESS, Sâmya Rodrigues Ramos, iniciou sua fala agradecendo a presença dos pais e fazendo um breve balanço da atuação do Conjunto CFESS-CRESS nos últimos anos. "A emoção que predomina neste momento é a de pertencimento ao gênero humano e ao de sujeitos que fazem história. São mais de 30 anos de construção desse projeto que traz as marcas e particularidades de profissionais que ousam construir estratégias de luta e resistência a essa realidade contraditória ditada pelo capital, a qual combatemos", destacou.

Segundo a nova presidente do CFESS, a chapa Tempo de Luta e Resistência (2011-2014) fortalecerá a continuidade das ações que fazem parte da agenda do Conjunto. "Nosso compromisso é de continuidade com a atuação política, com as estratégias de luta em curso e com os desafios que virão". Por fim, fez menção à gestão que findou. "Esses/as companheiros/as deram uma enorme contribuição às lutas desta profissão, deixando conquistas importantes e inesquecíveis, que entrarão para a história. Sucedê-los/as aumenta nossa responsabilidade de prosseguir nas lutas e também nos encoraja", concluiu.
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Tempo de Luta e Resistência – 2011/2014
Comissão de Comunicação
Diogo Adjuto - JP/DF 7823Assessoria de Comunicaçãocomunicacao@cfess.org.br

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Educação não é Fast-Food!!

Campanha diz não para a graduação à distância em Serviço Social

2011 | metaracomunicacao.com.br | foto estúdio faya 

Às vésperas do dia do/a assistente social, o Conjunto CFESS-CRESS, a ABEPSS e a ENESSO lançam uma campanha nacional que promete esquentar o debate sobre os cursos de graduação à distância em Serviço Social.  Educação não é fast-food pretende chamar a atenção da sociedade, de uma forma provocativa, para a realidade desses cursos, comparando as aparentes facilidades do ensino à distância com um lanche rápido, mas pouco nutritivo.

"A agilidade desses cursos só pode ser garantida porque a graduação é realizada em condições precárias, como mostram os dados do relatório Sobre a incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social, que embasa a campanha", afirma a presidente do CFESS, Ivanete Boschetti. "Desde 2000, as entidades representativas dos assistentes sociais têm se reunido para debater as mudanças no ensino superior que levam à precarização da formação. É nesse sentido que vimos a público defender a democratização do ensino, com garantia de qualidade na formação de profissionais capacitados para intervir na realidade brasileira, defendendo direitos e executando políticas para combater as desigualdades", ressalta.

Provocativa sim, ofensiva não!
Não é de agora a posição crítica do Conjunto CFESS-CRESS, da ABEPSS e da ENESSO sobre a mercantilização do ensino, que faz com que a educação não seja assegurada como um direito, mas como um produto comercializado no mercado.

Por isso, as posições assumidas na campanha não são individuais, mas resultado de um processo coletivo, fóruns de debate, documentos e manifestações, além de teses e publicações que expressam significativo acúmulo sobre o assunto.

"Nossos posicionamentos políticos não são fundados no desconhecimento e no preconceito, nem são dirigidos aos/às estudantes e trabalhadores/as do Ensino à Distância. Na verdade, a campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior e com a expansão que não garante o acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade", reforça a presidente eleita da gestão Tempo de Luta e Resistência (2011-2014), Sâmya Rodrigues Ramos.

O Conjunto CFESS-CRESS, a ABEPSS e a ENESSO acreditam que os dados apresentados pelos Conselhos Regionais (CRESS) na pesquisa que dá origem a esta campanha trazem elementos suficientes para sustentar a incompatibilidade do ensino à distância com a formação em Serviço Social. Situação que não permite outra atitude senão o posicionamento contrário a essa modalidade de graduação.

Hotsite traz todo o material que embasou a campanha, além de permitir que o/a internauta monte seu "lanche rápido"
e veja os problemas decorrentes da escolha de um curso de graduação à distância em Serviço Social

Material de campanha
O principal meio de divulgação da campanha é a internet. O hotsite educacaofastfood.com.br apresenta todo o conteúdo que fundamentou a campanha, além da tabela de comparação entre o ensino à distância e o ensino presencial.

Também no hotsite o/a internauta vai poder "montar seu curso à distância", assim como se faz com um lanche rápido, e verá os problemas acarretados ao escolher essa modalidade de graduação em Serviço Social. E tudo é interativo, expandindo para as principais redes sociais: Facebook, Twitter e Orkut.

No hotsite está também o vídeo-interativo pelo qual o internauta também poderá montar seu lanche/curso à distância em Serviço Social.
A campanha está sendo veiculada também em centenas de rádios comunitárias de todo o Brasil por meio de um spot.

Além de tudo isso, foi preparado também material gráfico: cartazes, banners, adesivos, marcadores de página e cartões postais, distribuídos em todo o Brasil.

Já imaginou trocar suas refeições por um lanche rápido durante quatro anos? É exatamente isso que ocorre com quem escolhe o ensino de graduação à distância em Serviço Social.

Educação não é fast-food. Diga não à graduação à distância em Serviço Social

Conheça a campanha, monte seu lanche, assista ao vídeo e compartilhe com seus amigos/as!


Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta – 2008/2011
Comissão de Comunicação

Rafael Werkema - JP/MG - 11732
Assessor de Comunicação
comunicacao@cfess.org.br

terça-feira, 10 de maio de 2011

CFESS comemora decisão do STF em favor dos direitos LGBT

Reconhecimento da união homoafetiva constitui vitória para o país



Foto da 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia (Rafael Werkema)

O Conjunto CFESS-CRESS, tradicionalmente na luta pelos direitos da população Lésbica, Gay, Bissexual, Travesti e Transexual (LGBT), comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quinta-feira, 5 de maio. Por unanimidade, os ministros do tribunal reconheceram a união estável entre casais com parceiros do mesmo sexo como entidade familiar.

Com a mudança, o Supremo cria um precedente que pode ser seguido pelas outras instâncias da Justiça e pela administração pública. A partir de agora, direitos como herança, comunhão parcial de bens, pensão alimentícia e previdenciária poderão ser assegurados a casais homossexuais.

Para a coordenadora da Comissão de Ética e Direitos Humanos (CEDH) do CFESS, Silvana Mara de Morais, a decisão é uma vitória. "A conquista é importantíssima, mas não podemos deixar de seguir na luta para que o Poder Legislativo também faça sua parte, atuando na tendência de reconhecer e legalizar os direitos LGBT. A votação e aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/06, que criminaliza a homofobia, é uma de nossas reivindicações nesse sentido", reforça a conselheira.

Desde 2006, quando o Conjunto CFESS-CRESS lançou a campanha pela liberdade de orientação e expressão sexual, em parceria com as entidades políticas LGBT, e publicou a Resolução 489/2006, "que estabelece normas vedando condutas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional do assistente social", os Conselhos Federal e Regionais tem acompanhado as demandas desses sujeitos coletivos e apoiado ações que contribuam para superar preconceitos e violações de direitos, na luta por uma sociedade livre de quaisquer formas de exploração, opressão e discriminação.

O CFESS luta energicamente contra todas as formas de opressão e pela liberdade de orientação e expressão sexual. A liberdade de orientação e expressão sexual e a identidade de gênero são dimensões da diversidade humana e por isso integram a agenda de luta do Serviço Social brasileiro.

Conforme defendem as conselheiras Ivanete Boschetti e Marylucia Mesquita no CFESS Manifesta do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, "toda forma de amor exige reverência coletiva, por isso, as relações afetivas, sejam entre homens ou entre mulheres, necessitam de respeito e reconhecimento público para serem vividas em plenitude e integralidade. Nada justifica a homofobia/lesbofobia, sutil ou explícita, que não reconhece e rejeita as relações homoafetivas".
 
 


 
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta – 2008/2011
Comissão de Comunicação

Diogo Adjuto - JP/DF 7823Assessoria de Comunicaçãocomunicacao@cfess.org.br

CFESS Manifesta: assédio moral nas relações de trabalho

 
Documento analisa criticamente esse tipo de violência contra o/a trabalhador/a




Arte: Rafael Werkema

A pouco menos de uma semana do encerramento da gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta (2008-2011), o CFESS publica seu penúltimo manifesto antes da posse da nova diretoria. O tema, com certeza, deixou a arte do CFESS Manifesta "menos colorida" do que a usual. Entretanto, exige um posicionamento firme do Conjunto CFESS-CRESS.

É o assédio moral, uma violência insidiosa e difícil (porém, não impossível) de ser identificada. Fenômeno que se manifesta tanto no cenário nacional como internacional, atingindo homens e mulheres, altos executivos e trabalhadores/as braçais, a iniciativa privada e o setor público, o tema requer atenção por parte dos/as assistentes sociais.

"Em suas manifestações públicas, o CFESS tem se posicionado contrário às violações dos direitos humanos, repudiando ações desrespeitosas, atitudes racistas, homofóbicas, de criminalização dos movimentos sociais e todas as formas de violência e preconceito. Assim, o Conselho Federal diz não também ao assédio moral e reafirma seu compromisso ético-político de lutar contra a violação de direitos dos/as trabalhadores/as", afirma trecho do documento.

O CFESS Manifesta apresenta também as situações/ações mais frequentes de assédio moral e conclama os/as assistentes sociais a denunciarem essa forma de violência.
 
 


 
Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta – 2008/2011
Comissão de Comunicação

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Comissão amplia carga horária dos ensinos fundamental e médio

Comissão amplia carga horária dos ensinos fundamental e médio

A Comissão de Educação do Senado aprovou ontem um projeto que aumenta em 20% a carga horária mínima anual nos ensinos fundamental e médio. Como a proposta tem caráter terminativo, seguirá direto para a Câmara, salvo se houver recurso para votação no plenário no Senado.

Pelo projeto, a carga horária mínima subiria de 800 horas para 960 por ano. Essa carga teria de ser dividida em pelo menos 200 dias letivos, conta que exclui os dias dedicados a provas finais. As escolas teriam prazo para realizar a mudança. Segundo o projeto, a lei entraria em vigor no dia 1.º de janeiro do segundo ano letivo depois da sanção.

O relator, Cyro Miranda (PSDB-GO), destaca que o Plano Nacional de Educação, enviado ao Congresso pelo governo federal, propõe como meta até 2020 ter metade das escolas em ensino integral.

Para ele, o projeto que amplia a carga horária ajudaria este objetivo. 'Enquanto não se chega ao ideal da escola de tempo integral, os governos municipais e estaduais podem se preparar para a sua implementação gradual.'

Frequência. A Comissão de Educação aprovou ainda outra proposta que pode alterar diretamente a vida dos alunos. O projeto amplia a frequência mínima exigida nos ensinos fundamental e médio. Atualmente, o aluno precisa comparecer a pelo menos 75% das aulas. Com o texto aprovado pela comissão, o porcentual sobe para 80%. A proposta também tem caráter terminativo e deve seguir para a Câmara.

O relator, Inácio Arruda (PC do B-CE), recusou a proposta inicial de elevar a exigência de frequência para 85%. Ele argumentou que é preciso dar 'margem de manobra para eventuais faltas que se mostrem necessárias'. Arruda argumentou ainda que uma elevação excessiva da exigência pode afastar da escola alunos que trabalham. O texto aprovado prevê que a frequência mínima de 80% passe a valer no ano seguinte ao da sanção da lei.


É LEI FEDERAL! 30 HORAS SEMANAIS PARA ASSISTENTES SOCIAIS SEM REDUÇÃO SALARIAL

Abaixo-Assinado (#8666): MINISTROS DO STF, VOTEM CONTRA A ADIN 4.468:

Destinatário: Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)


A aprovação da lei 12.317/2010 se constitui uma conquista história para o Serviço Social e o Conjunto CFESS-CRESS não mediu esforços em sua defesa.

Lutamos e conseguimos a sua aprovação no Congresso Nacional, após acompanhamento sistemático e mobilizações em vários momentos da tramitação na Câmara e no Senado Federal, desde 2007. Não foram poucas as ações empreendidas: diversas reuniões com o autor do PL, com relatores, mobilização e presença das entidades da profissão e categoria durante as votações nas comissões, notas aos deputados e senadores e, finalmente, a grande mobilização e ato público no dia da votação no Senado, durante o CBAS.

Reunimos mais de 3000 participantes e marchamos firmes rumo ao Congresso Nacional para pressionar os parlamentares a incluir na pauta da sessão do Senado, o PLC 152, que dispunha sobre a fixação da carga horária de 30 horas semanais para assistentes sociais, sem redução de salário. Naquele dia, que ficará na memória da categoria, “reviramos” o parlamento em busca de apoios junto aos senadores e deputados.

Em conseqüência desse movimento, o projeto foi aprovado, por unanimidade, no dia 3 de agosto de 2010 e sancionado pelo presidente da república no dia 26, após inúmeros investimentos do CFESS, que continuou buscando interlocuções com vários ministérios e suas assessorias, incluindo ainda nessa trajetória, reunião com a consultoria legislativa da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que assegurou a constitucionalidade do projeto de lei. Por fim, o PL foi sancionado, advindo então a lei 12.317/2010.

Com isso estamos demonstrando nossa capacidade e disposição política para enfrentar a recente Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN 4468), ajuizada no Supremo Tribunal Federal pela Confederação Nacional de Saúde, entidade que representa nacionalmente as empresas prestadoras de serviços de saúde. Os argumentos expostos na ação que pretende declarar a inconstitucionalidade da lei têm caráter estritamente econômicos e defendem a manutenção dos lucros dessas instituições pela exploração da força de trabalho, cada vez maior e mais intensa. É um exemplo estarrecedor da defesa mais direta, explícita e brutal de subsunção do trabalho ao capital. Argumentam, sem o menor constrangimento que a “redução da jornada contribuirá para o fomento do processo inflacionário, na medida em que as empresas do setor de saúde não possuem estrutura econômica para suportar os custos advindos desta medida eleitoreira, as quais serão obrigadas a repassá-las para o consumidor final” e ainda “que contribuirá para a falência das empresas do segmento hospitalar, que não conseguirem se enquadrar na sistemática de repasse de preços, gerando, por via reflexa, o aumento do custo do serviço de saúde e o desemprego”.

Essas considerações são mais do que reveladoras da finalidade última dessas instituições: o lucro acima de tudo, não importa a que preço! E sabemos, sem qualquer dificuldade, que a “conta” é paga com o trabalho aviltado. A lógica perversa do lucro a qualquer preço é traduzida em argumentos que não admitem nenhuma diminuição do seu ganho e ainda ameaçam com inflação, quando afirmam que os custos serão repassados ao consumidor, e com desemprego, porque muito provavelmente optarão por demitir assistentes sociais e, dessa forma, o serviço prestado será menos eficiente. Há que se perguntar: onde está a responsabilidade com o atendimento de qualidade que os usuários têm direito? Afinal, estamos lidando com a vida de pessoas, que nessa “fórmula” (deles), pode ser negligenciada para se preservar o lucro. Onde está o Estado, que cabe aplicar e fiscalizar o cumprimento da lei constitucionalmente aprovada nas esferas do poder legislativo e executivo?

Nessa linha de pensamento dos empresários do setor da saúde, pelo viés estritamente econômico, é perfeitamente admissível (também para eles), que assistentes sociais trabalhem 44 (ou mais!) horas semanais, sem se importar com o desgaste físico e emocional que essa extensa jornada produz aos/as trabalhadores/as. Mas, nós sabemos e vivenciamos cotidianamente os impactos extremamente negativos à qualidade do serviço prestado e suas conseqüências, quando se trata de lidar com vidas humanas, assim como à saúde do/a trabalhador/a. Adoecimentos físicos e mentais não são novidades no setor saúde, assim como a necessidade e, por vezes dependência, de medicamentos para seguir trabalhando. Dizem, de forma inconseqüente, que não houve estudos científicos que respaldasse o trabalho legislativo para assegurar que há estresse no trabalho nessa área, mas, nós sabemos que essa temática tem sido estudada no âmbito do serviço social e das demais profissões de saúde e revelam que os/as profissionais estão expostos/as a situações cotidianas de jornadas extenuantes que produzem alto grau de estresse, decorrentes das pressões sofridas no exercício de seu trabalho junto à população submetida a situações de pobreza e violação de direitos.

Os argumentos dizem ainda que a aprovação da lei teria um componente eleitoreiro, o que revela desconhecimento de todo o percurso do projeto, que tramitou desde 2007 no Congresso Nacional.

Reafirmamos, portanto, a nossa disposição para continuar defendendo a Lei 12.317/2010 e lutando pela sua implementação porque essa luta se conecta aos nossos princípios éticos-políticos e profissionais.

Defendemos coletivamente a redução da jornada de trabalho para todos/as os/as trabalhadores/as brasileiros/as e nos somamos às demais profissões da área da saúde na luta pela redução de suas jornadas e pelo direito ao trabalho com qualidade para todos/as.

Isso nos traz a convicção, cada vez mais forte, de continuarmos ao lado de parceiros que lutam em defesa da saúde pública universal, como um direito do cidadão e dever do Estado, seguindo firmes na consolidação do SUS, contribuindo na gestão, no controle social democrático e defendendo o financiamento compatível com as necessidades da política de saúde.

Por esses motivos, a redução da jornada semanal de trabalho do/a assistente social sem perda salarial é uma causa justa e impactará principalmente na qualidade dos serviços prestados aos usuários do Serviço Social.

Diante disso, nós, abaixo assinados, reivindicamos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que votem contra a ADIN 4.468.

Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta (2008-2011)

Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS)

Dados adicionais:

terça-feira, 3 de maio de 2011

CAPS E SERVIÇO SOCIAL: UM NOVO PARADIGMA NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL

JULLYMARA LAÍS ROLIM OLIVEIRA

AMÁBILE SATURNINO DE A. SATURNINO
CAMILA CAVALCANTE ROLIM
GRAZIELE DA SILVA ARAÚJO
MARIANA MENDES LUIZ

RESUMO

Este artigo trata da atuação do Serviço Social em Saúde Mental, porém não trata-se somente de uma descrição das práticas profissionais tem como objetivo analisar a importância do Serviço Social junto ao CAPS, identificar as demandas institucionais relacionadas á prática desenvolvida pelo Assistente Social, avaliar sua importância no processo de ressocialização dos usuários, bem como apresentar um breve histórico do tratamento dado aos portadores de transtornos mentais. As considerações alertam que no imaginário popular, a pessoa portadora de transtornos mentais ainda causa a idéia de ameaça e perigo, nesse contexto considerar que o portador de transtornos mentais é outro de nós e que deve ser tratado como tal, é uma visão que deve ser ampliada. Destarte o estudo permitiu uma compreensão da importância do Serviço Social junto ao CAPS I, os resultados apontam que o Serviço Social tem atuado principalmente no bojo do movimento da Reforma Psiquiátrica. O CAPS trabalha em uma perspectiva de desenvolvimento de autonomia e cidadania dos usuários sendo assim CAPS e Serviço Social configuram-se como um novo paradigma no campo da saúde mental. O presente artigo fornece uma leitura dessas questões, focalizando uma pesquisa realizada no Centro de Atenção Psicossocial I do município de Cajazeiras.

PALAVRAS- CHAVES: Serviço social, Saúde Mental, CAPS I.

SUMMARY
This article deals with the Social services in mental health service, but it is only a description of professional practice aims to assess the importance of Social service at the caps, identify related institutional demands will practice developed by the social worker, evaluate its importance in the process of ressocialização of users, as well as submit a brief history of the treatment of people with mental disorders. Stating that considerations in the popular imagination, the person bringer of mental disorders still question the idea of threat and risk, in this context I consider that the bearer of mental disorders is another us and that should be treated as such, it is a vision that should be expanded. Since the study allowed an understanding of the importance of Social service at the CAPS I, the results suggest that the Social service has worked mainly in bulging deinstitutionalisation entry. Caps works in a perspective of the development of autonomy and citizenship of CAPS and users thus become Social service as a new paradigm in the field of mental health. This article provides a reading of these issues, focusing on a survey on psychosocial care centre of the municipality of Cajazeiras I.Keywords: social service, mental health, CAPS I.


INTRODUÇÃO

No imaginário popular, a pessoa portadora de transtornos mentais ainda causa a idéia de ameaça e perigo, nesse contexto perplexos de conceitos estigmatizantes, considerar que o portador de transtornos mentais é outro de nós e que deve ser tratado como tal, é uma visão que deve ser ampliada.
Refletir, conhecer e estudar o Centro de Atenção Psicossocial I é uma alternativa em busca de perscrutar essa problemática e compreendê-la de forma pragmática, não no sentido objetivo, mas sim eficiente, tendo em vista que o CAPS é uma instituição destinada acolher o usuário com transtornos mentais, além de oferecer atendimento médico e psicológico, busca a construção da cidadania e autonomia dos usuários, estimulando a integração social e familiar. Tendo como elemento impulsionador a reforma psiquiátrica que consiste em um processo de construção e transformação da relação sociedade e loucura, e caracteriza-se particularmente como uma nova forma de acolher e tratar o doente mental, buscando construir estratégias para desmontar a idéia de periculosidade e isolamento social, bem como trilhar novos caminhos para inclusão social.
É nessa perspectiva que o artigo trata da atuação do Serviço Social em Saúde Mental, porém não trata-se somente de uma descrição das práticas profissionais tem como objetivo analisar a importância do Serviço Social junto ao Centro de Atenção Psicossocial I da cidade de Cajazeiras, bem como identificar as demandas das instituições relacionadas á prática desenvolvida pelo Assistente Social e avaliar sua importância no processo de ressocialização dos usuários do CAPS I, tendo em vista as problemáticas existentes como preconceito, descriminação e exclusão social.
A prática profissional é o foco da pesquisa, porém como é sabido a profissão não é exercida de forma autônoma, mas esta intrisicamente ligada a instituição em que está inserida, sendo assim quando a instituição tem visão emancipadora fica mais fácil para o Serviço Social fazer um trabalho que colabore coma restauração da saúde mental dos usuários. Logo compete aos profissionais de Serviço Social e a instituição uma mediação entre loucura e sociedade.
O CAPS trabalha em uma perspectiva de desenvolvimento de autonomia e cidadania dos usuários sendo assim CAPS e Serviço Social configuram-se como um novo paradigma no campo da saúde mental.

DESENVOLVIMENTO
HISTÒRICO DA LOUCURA

Nenhuma outra categoria humana sofreu ao longo de toda a História, tantos preconceitos e tantos estigmas como as pessoas com algum tipo de transtorno mental. "Foram-lhe atribuídas várias caracterizações: como dos deuses, como experiência trágica de vida, como possessão de demônios, como poderes sobrenaturais". (BISNETO, 2007. p. 173). "Na Idade Média e no Renascimento, supunha-se que a loucura era causada por uma pedra no cérebro, e sua extração seria o 'caminho da cura'. (MACHADO, 2005. p. 38).
Tendo em vista que era uma época em que qualquer diferença era imperdoável, onde até mesmo algumas mulheres por serem consideradas bonitas demais, ou cientista, por dizerem que o sol era o centro do universo, eram levados á fogueira. Imagine aqueles que eram considerados "endemoniados"?
No início do século XVIII veio o tempo de confinamento, as celas, prisões e correntes. Somente em fins do século XVIII começa-se a abordar de forma mais específica e adequada, do ponto de vista médico e humanitário, a doença mental, a partir de iniciativas francesas e inglesas.
No século XX surgem sucessivamente movimentos psiquiátricos, pós II Guerra Mundial, Psiquiatria de setor (França), análise Institucional (França), a comunidade Terapêutica (Inglaterra), a Antipsiquiatria (Inglaterra), a Psiquiatria Preventiva (Estados Unidos), a Psiquiatria Comunitária (Estados Unidos) e a Psiquiatria Democrática (Itália).
No Brasil os movimentos psiquiátricos surgem vinculados a experiências européias ou norte americanas bastante avançadas para a época, porém é importante ressaltar que eram pouco críticas em relação á realidade brasileira.
No início de 1850 surgi a Reforma Clemente Pereira que ficou conhecida como á era de ouro dos Asilos, já em 1890 temos a Reforma Teixeira Brandão conhecida como a era de ouro das Colônias, em 1940 a Reforma Adauto Botelho conhecida como a era de ouro dos Hospitais Estaduais e a Reforma Leonel Miranda em 1960 a era de ouro dos Hospitais privados.
No âmbito de iniciativas da sociedade civil organizada, os grandes marcos brasileiros são: Rede de Alternativas Psi no início dos anos 70, Movimentos dos trabalhadores de Saúde Mental, no fim dos anos 70 e início dos 80, Movimento da Luta Antimanicomial no fim dos anos 80 e início dos 90.

MOVIMENTO DE REFORMA PSIQUIATRICA

O Movimento de Reforma Psiquiátrica teve início, no Brasil, no final dos anos 70, e adquiriu maior visibilidade em 1987, a partir da realização da 1ª Conferência Nacional Saúde Mental e do 2° Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental, em Bauru (SP) [...]. (MACHADO, 2005. p. 11).
Segundo Amarante a Reforma Psiquiátrica é um processo histórico de formulação crítica e prática que objetiva e estratégia o questionamento, bem como a elaboração de propostas de transformação do modelo clássico e do paradigma da Psiquiatria.
Historicamente a Reforma Psiquiátrica surgiu para questionar os conhecimentos e as práticas profissionais, sendo entendida como um processo em construção permanente, pois mudam-se os conceitos, as práticas, os sujeitos e a história.
A Reforma Psiquiátrica pretende demonstrar que é possível que as pessoas consideradas loucas possam assumir diversos papéis na sociedade, pois a doença não resulta apenas de uma contradição entre homem e meio natural, mas também entre indivíduo e sociedade, ou seja, o peso de assumir unicamente o papel de "doente mental" em uma sociedade é estigmatizante, assim ele deve ser reconhecido acima de tudo como individuo, sendo respeitadas as suas diferenças.Assim, "em termos práticos, os assistentes sociais precisam dar apoio ao movimento de Reforma Psiquiátrica e ás suas propostas de políticas sociais". (BISNETO, 2007. p. 194). Tendo em vista que a atuação do Serviço Social junto á doença Mental é de total importância, porém "a atuação do assistente social, frente ao sofrimento mental, não se resume a restituir uma 'falta de cidadania' ou suprir direitos previdenciários: os problemas nessa área muito mais complexos e paradoxais". (BISNETO, 2007. p. 195).

SAÚDE MENTAL X CAPITALISMO

Pensar a atuação do assistente social na área da saúde mental requer uma discussão entre loucura e sociedade, alienação social e prática profissional. Sendo assim é inquestionável á importância de perscrutar o contexto dos portadores de transtornos mentais, identificando suas necessidades, sejam elas, políticas, sociais, culturais ou até mesmo materiais, pois, "se objetivamos uma certa autonomia dos usuários na reabilitação psicossocial, precisamos fazer uma análise correta de suas possibilidades de reapropriação das relações sociais que os atravessam e os determinam". (BISNETO, 2007. p.192). Contudo, podemos verificar alguns avanços de autonomia nas relações sociais, porém do ponto de vista da totalidade, percebemos que apesar dos imensos benefícios que proporcionam aos usuários, as atividades desenvolvidas pelas instituições muitas vezes não são suficientes para obter uma autonomia vasta. Desse modo, percebemos a autonomia dos usuários muito mais na medida afetiva do que em outras áreas, levando em consideração que "[...] a reabilitação social através do lazer ou da efetividade não é equivalente á conduzida por uma atividade de produção (cooperativas de trabalho) nem a reabilitação através de moradia ou da família (da esfera da reprodução social)". (BISNETO, 2007. p. 192).
O Raciocínio é lógico se compreendermos que atualmente vivemos em uma sociedade capitalista e excludente, dessa forma se evidência a necessidade de realização dos portadores de transtornos mentais em todos os aspectos.
As concepções filosóficas de Marx definem o homem como um conjunto das relações sociais, tendo como atividade vital o trabalho. Sendo assim o conceito de homem sadio baseia-se na liberdade e independência, sendo ao mesmo tempo ativo relacionado e produtivo. Freud posiciona-se semelhantemente quando relata que a saúde mental é poder amar e trabalhar, mas no sentido incondicional que o verbo exige em trabalhar no sentido de criar, sendo ao mesmo tempo útil e produtivo. "Em países de Primeiro Mundo, como na Itália, a proposta de reforma psiquiátrica avançou, e lá conseguiram desenvolver serviços residenciais e cooperativas de trabalho amparadas pela legislação comercial". (LEONARDIS apud BISNETO, 2007. p. 183).

CAPS

Tendo como elemento impulsionador a Reforma Psiquiátrica o estado de São Paulo deu o primeiro passo, instalando um Centro de Atenção Psicossocial. Se antes um quadro simples de depressão era agravado devido á falta de espaço para o dialogo entre, pacientes, médicos e as pessoas de seu convívio. Considerando que "o asilamento compulsório só faz reproduzir a alienação, contribuindo assim para a iatronização do portador de sofrimento mental". (BISNETO, 2007. p. 181). Além disso, "algumas morriam devido á violência, a desnutrição, as doenças infectocontagiosas, ao abandono e ao descaso". (MACHADO, 2005. p. 12). O isolamento, correntes, prisões, choques e etc, configuram as práticas de tratamento no decorrer da história.
Em contraposição as práticas realizadas nos CAPS se caracterizam por ocorreram em ambiente aberto, acolhedor e inserido na cidade, no bairro do usuário.
O CAPS trabalha em uma perspectiva de desenvolvimento de autonomia e cidadania dos usuários, sendo assim o CAPS configura-se como um novo modelo no campo de saúde mental. Os CAPS se diferenciam pelo porte, capacidade de atendimento e usuário, organizam-se no país de acordo com o perfil populacional dos municípios brasileiros. Assim, estes serviços diferenciam-se com CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPS i e CAPS ad.
É importante ressaltar que embora tenha citado os diversos tipos de CAPS este artigo se detêm a analisar a importância do Serviço Social junto ao CAPS I. O CAPS I é um Centro de Atenção Psicossocial de menor porte, capaz de oferecer uma resposta efetiva ás demandas de saúde mental em municípios com população entre 20.000 e 50.000 habitantes. Os projetos desse serviço devem ultrapassar a própria estrutura física, em busca da rede de suporte social, potencializadora de suas ações, preocupando-se com o sujeito: sua fala, sua história, sua cultura e sua vida cotidiana. Por fim, são grandes os desafios a serem superados para a implementação da Reforma Psiquiátrica, e um dos maiores é a consolidação desses serviços de atenção diária.

ANALÍSE INSTITUCIONAL DO SERVIÇO SOCIAL EM SAÚDE MENTAL

Será considerada aqui uma pesquisa realizada no Centro de Atenção Psicossocial I (CAPS) do município de Cajazeiras.
A compreensão da prática do Serviço Social em Saúde Mental exige uma análise institucional, no entanto não estamos analisando a instituição, mas sim a prática do Serviço Social nela.
Os dados apresentados a seguir são para se entender a pesquisa e conhecer a amostra. Nesse aspecto tomamos informações sobre: data da fundação, proposta da instituição, como é mantida, se está inserida no Movimento da Reforma Psiquiátrica, se as práticas são interdisciplinares, quais as demandas relacionadas à prática desenvolvida pela Assistente Social e quantos aos usuários.
A pesquisa realizada foi direcionada a prática do Serviço Social no CAPS da cidade de Cajazeiras fundado em quatro de outubro de dois mil e um, que é coordenado por Maria de Lima Bertoldo e conta com uma equipe que atuam como parceiros no trabalho dos usuários, ou seja, é multiprofissional e é composta por três psicólogos, um assistente social, um psiquiatra, uma terapeuta ocupacional, um artesão, duas enfermeiras, três técnicos em enfermagem, quatro monitores, duas recepcionistas, uma cozinheira, um vigia, um motorista e um agente administrativo. A instituição é mantida por recursos financeiros do governo federal e municipal, e funciona de segunda a sexta, das 08h00min às 17h00min, onde ao final do expediente o paciente retorna ao contexto sócio familiar.
A proposta da instituição é acolher o usuário com transtornos mentais, e estimular sua integração social e familiar, apoiá-los em suas iniciativas de busca de autonomia, oferecer-lhes atendimento merecido e psicológico, constituindo-se como instrumento estratégico de Reforma Psiquiatra.
Quanto aos usuários inseridos na instituição são cerca de 200, que são divididos em três modalidades: Intensivo que freqüentam todos os dias, semi-intensivo de 2 a 3 vezes por semana e os não intensivos que freqüentam apenas no dia da consulta. Seria importante ressaltar que foram entrevistados apenas os usuários intensivos. Em um universo de 40 usuários intensivos foram entrevistados 10 como amostra, sendo 50% do sexo masculino e 50% do sexo feminino. O CAPS atende homens e mulheres sem que se criem especificidade para a análise, sendo assim caracteriza-se em um estabelecimento misto.
Considerando o exposto podemos dizer que o CAPS configura-se como um novo modelo de atendimento à população de sua área de abrangência, realizando acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
Isso se deve ao trabalho conjunto da equipe interdisciplinar onde o Serviço Social também encontra-se incluído junto com outros saberes vem proporcionando melhorias de vida para os usuários, sendo assim a prática do assistente social tem sido muito importante principalmente no que se refere ao desenvolvimento de atividades com os usuários que entendemos como possibilitadoras de uma apropriação das relações sociais. Contudo, faz-se necessário uma avaliação dessas atividades e verificação dos resultados.
Pois podemos perceber alguns avanços e certo grau de autonomia em alguns usuários o que não quer dizer que atividades como desenhos e pinturas entre outras desenvolvidas vão proporcionar a todos os usuários autonomia e emancipação, pois os próprios depoimentos de alguns relatam isso. Contudo percebemos criticidade em alguns usuários o que significa avanços em termos de reabilitação, essa questão remete novamente a discussão das atividades.

CONCLUSÃO

O percurso desta reflexão nos remete a uma visão ampla acerca da importância do profissional de Serviço Social no âmbito da saúde mental.
Os resultados apontam que o Assistente Social tem atuado principalmente no bojo do movimento da Reforma Psiquiátrica, proporcionando aos usuários melhores condições de vida, pois ocorreram reduções no número de internações psiquiátricas, bem como o deslocamento para outras cidades.
É perceptível que a Reforma Psiquiátrica em Cajazeiras tem possibilitado uma nova forma de cuidados e compreensão dos usuários, porém é preciso avançar mais. Não obstante dessas conquistas, verificamos que há necessidades de avançar na construção da autonomia e da cidadania dos usuários, sendo de fundamental importância a criação de estratégias de geração de emprego e renda para os usuários do CAPS I.
Os resultados das ações do Serviço Social existem, porém nem sempre são perceptíveis, pois a intervenção do Serviço Social acontece em forma de processo, ou seja, gradativamente, portanto os resultados não são vistos de forma imediata. Outro fator observado é que com a equipe multidisciplinar fica mais difícil a caracterização do produto da prática do Serviço Social.
Em relação às atividades, entendemos como possibilitadoras para estimular a autonomia, promoção à cidadania e reinserção social, todavia fica difícil afirmar a eficácia no processo de ressocialização, pois quando falamos em CAPS não nos referimos à cura, mais a uma melhor qualidade de vida do usuário. Entendendo que as demandas institucionais relacionadas à prática desenvolvida pelo Assistente Social, é basicamente promover autonomia e cidadania dos usuários, atuando na conscientização das famílias, no que diz respeito ao comprometimento com o CAPS e a participação no tratamento com o usuário. Destarte, o estudo permitiu algumas contribuições importantes para á analise do Serviço Social no campo da saúde mental, como fundamento para o campo de pesquisa que certamente serão abordadas em reflexões futuras.

REFERÊNCIAS

BISNETO, José Augusto. Serviço Social e saúde mental: uma análise institucional da prática. São Paulo: Cortez, 2007.
LARA, Ricardo. Pesquisa e Serviço Social: da concepção burguesa de ciências sociais á perspectiva ontológica. Rev. Katál, Florianópolis, 2007.
MACHADO, Kátia. Como anda a Reforma Psiquiátrica? Rev. Radis Comunicação em Saúde, Rio de Janeiro, 2005.

FONTE ELETRÔNICA
 
www.discivernet.com.br/saudequeixada/produção.html,2001.
www.husfp.ucpel.tche.br/capps.htm

ESCOLA LUGAR DE BOA CONVIVÊNCIA



Fotos: Dayane Martins



Bruno Dominguez

Está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a educação, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Mas, ao se comparar a escola ideal e a escola real, é impossível não constatar que o esperado ambiente de relações harmoniosas está permeado por manifestações de violência, muitas vezes, expressas em situações de opressão veladas ou, ao menos, pouco evidentes à primeira vista.
Essas, ao lado de situações mais perceptíveis, como agressões físicas ou verbais, humilhações, depredações e, ainda, baixos salários pagos aos professores, acabam por ferir grande parte dos princípios do ensino estabelecidos pelo texto legal: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade e apreço à tolerância; e valorização do profissional da educação escolar. Formas de violência que deixam marcas físicas e psicológicas em alunos, professores e funcionários, impedindo que todos cumpram integralmente seus papéis.

Cursos voltados a professores e programa do Ministério da Educação com foco nas relações escolares são algumas mostras de que o tema mobiliza e é alvo de preocupação. “O uso da violência, seja física ou psicológica, constrói, na sala de aula, um ambiente pouco propício à aprendizagem e, na escola pública, constitui mais um fator de agravamento da exclusão social a que estão submetidas as parcelas de baixo nível socioeconômico da população”, avalia a pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/Ensp/Fiocruz) Simone Gonçalves de Assis.

Uma das coordenadoras do Curso de Atualização em Enfrentamento da Violência e Defesa de Direitos na Escola, Simone explica que há três categorias de violência no ambiente escolar: contra a escola, da escola e na escola. A violência contra a escola tem a ver com as condições de trabalho, os baixos salários e a formação equivocada de professores. “Há uma gama de fatores estruturais que são uma forma concreta de violência, como a má localização das unidades e a falta de equipamentos em sala”, exemplifica Simone.

Ao longo dos anos, analisa a pesquisadora, as políticas públicas nesse setor provocaram o sucateamento das escolas e a desvalorização social do professor. “Essas ações se refletiram profundamente na queda da autoestima dos profissionais e da qualidade do ensino, criando um cenário propício à escalada da violência”. Também se incluem nessa categoria atitudes violentas de pessoas ou grupos externos à escola: depredações, roubos e uso do espaço para tráfico de drogas.

Se a escola é vítima, também é agressora. A violência da escola está ligada às relações hierárquicas do sistema educacional, diz Simone. Vários estudos sobre o tema indicam a violência simbólica como a principal forma de violência promovida pela escola — violência simbólica é um conceito do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), que via a sociedade como um campo de dominação e de reprodução dissimulada das desigualdades sociais nas instituições.
A violência na escola mais visível e mais comentada se expressa em várias modalidades: violência entre alunos, violência do aluno contra o professor, da escola e do professor contra o aluno, entre os profissionais da educação, do sistema de ensino contra a escola e o professor, do funcionário contra o aluno, do aluno contra o patrimônio da escola. Nessa categoria, explica Simone, pesquisas apontam a violência protagonizada pelos alunos como a mais frequente e que mais afeta o cotidiano escolar.

‘BULLYING’
Embora seja apenas uma das diversas formas de violência entre alunos, o bullying é hoje a que mais chama a atenção de pais, professores e da mídia. Bullying é palavra da língua inglesa que designa abuso do poder físico ou psicológico entre pares, envolvendo dominação e prepotência, por um lado, e submissão, conformismo e sentimentos de impotência, raiva e medo, por outro. O conceito abrange práticas como colocar apelidos, humilhar, discriminar, divulgar comentários maldosos, amedrontar, bater, empurrar, roubar, excluir, ignorar e ameaçar.
O livro Impacto da violência na escola — Um diálogo com professores (Editora Fiocruz), material do curso coordenado por Simone e do qual ela é uma das organizadoras (ao lado de Patrícia Constantino e Joviana Quintes Avanci), informa que o bullying pode ser identificado a partir de três tipos de comportamento: agressivo e intencionalmente nocivo; repetitivo; e que se estabelece em uma relação interpessoal assimétrica, de dominação. Outras características são o fato de a vítima se sentir incapaz de se defender e até de perceber a si mesma como vítima, e de a agressão acontecer sem provocação ou motivo evidente.
Pesquisas internacionais divergem quanto à porcentagem de alunos envolvidos nessa prática, como vítimas ou como agressores, com índices que variam de 10% a 76,8%. No Brasil, a Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar 2009, realizada pelo IBGE, concluiu que quase um terço dos alunos entrevistados (30,8%) sofreram bullying. Estudantes do 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) de 6.780 escolas públicas ou privadas das capitais e do Distrito Federal responderam a pergunta: “Nos últimos 30 dias, com que frequência algum dos seus colegas de escola o esculachou, zoou, mangou, intimidou ou caçoou tanto que você ficou magoado/incomodado/aborrecido?”. Os que se disseram alvo desse tipo de violência raramente ou às vezes somaram 25,4%; os que afirmaram ter sido vítimas na maior parte das vezes ou sempre foram 5,4%. A ocorrência de bullying foi verificada em maior proporção entre alunos de escolas privadas (35,9%, contra 29,5% nos de públicas) e entre meninos (32,6% ante 28,3% de meninas).

PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO
Grande parte das manifestações de violência no espaço escolar pode ser atribuída ao preconceito e à discriminação — por gênero, cor da pele, orientação sexual ou deficiência. A pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, encomendada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), constatou que pessoas com deficiência, negras e homossexuais são as que mais sofrem.
Foram entrevistados 18.599 estudantes, pais e mães, professores e funcionários da rede pública de 500 escolas de todos os estados do país. Desses, 99,3% declararam ter algum tipo de preconceito — 96,5% com relação a pessoas com deficiência, 94,2% de caráter étnico-racial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% de condição socioeconômica, 87,3% de orientação sexual e 75,95% territorial.
Quando perguntados sobre o nível de proximidade que estabeleceriam com esses grupos, 72% revelaram o desejo de manter distância de homossexuais, 70,9%, de pessoas com deficiência intelectual, 70,4%, de ciganos, 61,8%, de pessoas com deficiência física, 61,6%, de índios, 61,4%, de moradores da periferia e/ou de favelas, 60,8%, de pessoas pobres, 56,4%, de moradores e/ou trabalhadores de áreas rurais, e 55%, de negros.
Os que relataram conhecer o bullying contra alunos apontaram como motivação o fato de a vítima ser negra (19%), pobre (18,2%) ou homossexual (17,4%). No caso dos professores, o bullying é mais associado à idade (8,9%) e, no de funcionários, à pobreza (7,9%).

REFLEXOS DA SOCIEDADE
No Ministério da Educação, o tema é tratado principalmente pelo programa Escola que Protege, voltado à promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes e ao enfrentamento e prevenção das violências no contexto escolar. A ação se dá pelo financiamento de projetos de formação continuada de profissionais da rede pública de educação básica e pela produção de materiais didáticos e paradidáticos. Segundo a coordenadora-geral de Articulação Institucional da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), Rosiléa Wille, o objetivo é levar as escolas a adotar mecanismos pedagógicos para enfrentar as violências de modo educativo e não repressivo. “As pessoas devem aprender a dialogar para que os conflitos no ambiente escolar sejam motivadores de conhecimento pessoal e crescimento coletivo, favorecendo um clima de aprendizagem e boa convivência”, diz.
Ainda este ano, 6 mil escolas públicas devem receber cartilha, cartazes e vídeos sobre homossexualidade. O anúncio da preparação desse conteúdo provocou polêmica, em mais um exemplo de que a discriminação no ambiente escolar é reflexo de uma sociedade que ainda não sabe lidar com a diversidade. O material passou a ser chamado de kit gay e apontado como estímulo à homossexualidade entre crianças e adolescentes.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou comunicado apoiando o kit anti-homofobia: “Os materiais estão adequados às faixas etárias e de desenvolvimento afetivo-cognitivo a que se destinam, de acordo com a Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade, publicada pela Unesco em 2010”.
Foto: Natalia Calzavara
Claudia: escola deve se voltar a quem existe de fato, não a quem se gostaria que existisse

A maneira correta de se lidar com a diversidade não é consenso nem na Educação. Na Conferência Nacional de Educação, realizada em março de 2010, representantes dos surdos defenderam uma escola própria — proposta que acabou rejeitada. “Dinheiro público é para a escola pública de qualidade para todos, não só para os que têm deficiência, nem só para os que não têm deficiência”, defendeu o delegado David de Souza, membro do Conselho Nacional de Juventude, com paralisia cerebral. “Não queremos uma escola para os surdos, queremos uma escola para todos” (Radis 94).

ESCOLA INCLUSIVA
Para a jornalista Claudia Werneck, superintendente geral da Escola de Gente, organização da sociedade civil voltada a comunicação e inclusão, a escola brasileira está longe de tratar corretamente a diversidade. Ela defende a escola inclusiva, que se baseia no direito de todos a receber uma educação de qualidade que satisfaça suas necessidades básicas de aprendizagem e enriqueça suas vidas.
“Nosso sistema é violento e discriminador”, critica a jornalista, para quem a agressividade entre estudantes é a representação máxima de uma proposta pedagógica excludente. Ela se lembra do gordinho afastado do jogo de vôlei, do desafinado retirado da sala de música e de tantas outras situações que se repetem na maior parte das escolas, sem que os envolvidos percebam que estão praticando violência.
Foto: Eber Faioli/ufmg
Arroyo: reconhecimento da diversidade instaura outra relação nas salas de aula

Para Claudia, toda escola pública ou privada que se recusa a se tornar inclusiva, aberta à diversidade humana, voltada à educação de quem existe de fato, e não quem se gostaria que existisse, é violenta. “As escolas devem abrigar todo o tipo de criança, as que andam ou não, os filhos de cigano, os filhos de afegão, os filhos de mãe assassina, com nariz escorrendo, com doença”. E faz um alerta: “Os pais podem ter certeza de que a escola que discrimina uma criança por ser deficiente discrimina seus filhos por outras razões”. Em outras palavras, “quando se fere uma criança, se fere todo o sistema educacional”.
O doutor em Educação Miguel Arroyo, professor emérito da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, também ressalta que a relação pedagógica deve ser um diálogo de saberes, vivências, valores, culturas, formas de pensar e de ler o mundo. “Essa concepção pedagógica de reconhecimento da diversidade instaura outra relação nas salas de aula, enriquece a docência-aprendizagem mútuas”, avalia.
Arroyo defende que se entenda essa relação como um processo educativo-formador, em que as duas pontas — educador e educando — estão em formação e humanização. “Essa concepção de prática pedagógica instaura relacionamentos mais delicados”.  è


Esta reportagem estava concluída quando ocorreu o trágico episódio da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Rio de Janeiro, alvo de um franco atirador que tirou a vida de mais de uma dezena de alunos. Nós da Radis estamos solidários com a dor de todos os envolvidos — famílias, professores, funcionários e alunos.




BOA CONVIVÊNCIA
Fonte: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/105/capa.htm